Para que serve a utopia?

"A Utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que nunca a alcançarei. Se eu caminho dez passos, ela se distanciará dez passos. Quanto mais a procure, menos a encontrarei. Qual sua utilidade, então? A utopia serve para isso, para caminhar!"
Fernando Birri (diretor de cinema)
http://www.youtube.com/watch?v=Z3A9NybYZj8

domingo, 18 de março de 2012

Porque a vida continua...

E porque a vida continua hoje foi só mais um domingo normal. Em nada vai se parecer com aquela sexta feira de um ano atrás. Nada de vodka, cerveja, amigas ou paquera. Nada. E porque a vida continua foi assim, normal. Sonso. Sem graça.

Porque a vida continua, eu tenho que continuar. Diferente. Cicatrizando. Com mais por quês que me atormentam e um descrédito quanto ao futuro que insiste em retornar nos dias mais tristes.

E porque a vida continua ainda ouço histórias sobre você. Ouço sobre as coisas que você dizia. Disse. E como me surpreende saber que eu fazia parte das suas falas.

Porque a vida continua eu continuo sentindo. E como é difícil sentir presente esta ausência nos lugares que costumávamos nos encontrar. E sinto tantas coisas. Raiva. Dor. Medo. É uma mistura de tanta coisa que não conheço o nome.

E porque a vida continua, virão outros anos, outras datas em que me lembrarei com ainda mais saudade e talvez mais idealização. Não há mais nada que me impeça de dizer que era perfeito. Até mesmo as lágrimas naquela época, não erão assim, tão salgadas como as de hoje que insistem em cair toda vez que lembro-me de ti.


sexta-feira, 9 de março de 2012

E quer saber, ainda gosto das borboletas no estômago, quando elas voltam é sinal que o jardim está florindo novamente.

quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de Março

Dia Internacional da Mulher para flores e Parabéns?

Parabéns vindos de homens que violentam das mais diversas e perversas maneiras;

Rosas que escondem apenas neste dia os espinhos que enfrentamos todos os outros dias do ano apenas por sermos mulheres. Ora porque queremos trabalhar numa profissão “de homem”, ora porque optamos por não sermos mães, ora porque somos lésbicas, ora porque somos biscates, ora porque somos bêbadas, ora porque somos intelectuais, ora porque somos difíceis, ora porque somos frágeis, ora porque somos duras, ora porque somos, existimos, exigimos!

Parabeniza-me por quê?

Porque devo portar-me direito, com vestes comportadas, que não mostrem as silhuetas do meu corpo de mulher, para não instigar o desejo descontrolado de um homem violento que ganha o direito de me estuprar se eu assim não estiver?

Porque hoje trabalho, voto, mas devo seguir os padrões sociais: namorar, casar e ter filhos – para ser considerada uma mulher de verdade?

Parabéns eu dou hoje às mulheres que lutaram para que eu possa ter o direito de escrever esse texto e ter minha opinião. Às mulheres que lutaram e morreram por condições dignas de trabalho.

A mim sobra ainda muita luta. Muito enfrentamento a uma sociedade opressora que ainda precisa de dias de reconhecimento aos que dela são vítimas diárias: mulheres, gays, negros...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Brasileiros, com muito orgulho, com muito amor!

Nós, classe média, somos brasileiros, com muito orgulho e muito amor;

Orgulhamo-nos da nossa miscigenação, mas ainda chamamos cabelo crespo de cabelo ruim e alisamos e fazemos luzes douradas nos cabelos;

Adoramos feijoada, mas não gostamos do pé, orelha, rabicó. Dos ingredientes que fazem a verdadeira feijoada, temos nojinho. Gostamos daquela só com calabresa, bacon e carne seca;

Curtimos carnaval, mas tem que ter gente bonita. E beleza para nós, brasileiros com muito orgulho, é tipo, gringo de olho azul;

Criticamos a eleição do Tiririca para deputado Federal, mas cultivamos com satisfação e prazer a opção pela ignorância nossa de cada dia em não ir além do senso comum;

Comemoramos a Independência do Brasil, mas adoramos as privatizações das estradas, da telefonia, da educação etc. etc.;

Desconhecemos saci Pererê, boitatá, mula-sem-cabeça, iara, curupira; mas pagamos caro para conhecer de perto os personagens Disney;

Acreditamos sem questionamentos na meritocracia, cada um recebe o fruto do seu mérito, mas reclamamos todos os dias do nosso trabalho, chefe e salário, afinal, nunca somos recompensados como deveríamos.

Classe média sofre, viu!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Chegamos ao Século XXI e...

...educação virou mercadoria 
...a saúde tá uma porcaria
...olho no olho deu lugar à tecnologia

...o ensino é para todos
...a qualidade é para poucos
...o dinheiro dita o destino de um moço

...bandido usa terno e gravata
...a polícia age como primata
...estudante e pobre é seu alvo de cacetada

...não há mais escravidão (???)
...os direitos estão na constituição
...mas quanta gente há ainda sem pão

...Aprendemos novos conceitos
...a inclusão quer todo mundo dentro
...mas carregamos ainda muito preconceito

...as redes sociais aproximaram o distante
...computador virou amigo
...amigo é foto na estante

...boa forma é essencial
...e no mundo da cinturinha fina
...não há mais espaço para ética e moral

Chegamos ao século XXI e,
Quem diria, toda tecnologia
Não nos impediu de viver uma selvageria.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

I miss...

  Sinto falta do período da vida em que ele fez parte. Daquelas descobertas todas. Do frio na barriga. Do seu olhar de desejo. E vice-versa. Do descompromisso com fazer sentido. Do descompromisso que eu estabeleci com a realidade. Da entrega a uma ilusão que fazia muito sentido para mim, mesmo sem fazer nenhum sentido.

Sinto falta de coisas passadas que agora não estabelecem mais vínculo com a realidade. Tenho dúvidas quanto a minha sanidade naqueles tempos. Esta pessoa realmente existiu? Não a encontro mais, nem nos meus devaneios. Talvez tenha existido apenas nos meus delírios.

Uma fantasia. E como pôde ser possível eu ter permitido que uma fantasia fosse capaz de me machucar tanto? Como uma criança eu fazia questão de puxar a casquinha sempre que a ferida estava cicatrizando, abrindo novamente um vermelho vivo que fazia arder, mas me fazia sentir viva, e então, eu gostava. Vibrava a cada palpitação que fazia estremecer meu corpo. É disso que eu sinto falta.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um caminho sem volta...

O conhecimento é um caminho sem volta e, como diz um ex-professor e agora colega de profissão, dói! E vicia. E como todo vício te faz querer mais e mais. Leva-te a pensar, questionar e não mais aceitar meias verdades.

Diferente das outras drogas não há recuperação para conhecimento e pensar. Não há uma desintoxicação. Uma clínica em que você se interne e consiga parar de querer usar o pensamento, o senso crítico, isso a que chamam Razão.

Há tentativas externas de evitar um movimento maior desses drogados baderneiros que vivem a pensar e questionar. Eles podem dominar o mundo, são um risco para a ordem pública e o poder, mas não tem jeito, apesar da repressão, continuam por aí a pensar...

É mesmo um caminho sem volta. E dolorido. Dolorido porque não há ponto de repouso. É uma eterna inquietação. Um eterno querer mais. Uma necessidade de saber, entender.  Uma busca sem fim por respostas que, muitas vezes, nem existem. Como toda droga você quer usar o pensamento mais, mais e mais e aí está a grande ironia desta droga. O excesso de razão que ela proporciona, pode facilmente levar à falta de controle sobre o seu uso e conduzir à loucura. Sim, afinal, conhecer e pensar o mundo sem as vendas da ignorância e permanecer são, isso sim é coisa de maluco!


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