Para que serve a utopia?

"A Utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que nunca a alcançarei. Se eu caminho dez passos, ela se distanciará dez passos. Quanto mais a procure, menos a encontrarei. Qual sua utilidade, então? A utopia serve para isso, para caminhar!"
Fernando Birri (diretor de cinema)
http://www.youtube.com/watch?v=Z3A9NybYZj8

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

I miss...

  Sinto falta do período da vida em que ele fez parte. Daquelas descobertas todas. Do frio na barriga. Do seu olhar de desejo. E vice-versa. Do descompromisso com fazer sentido. Do descompromisso que eu estabeleci com a realidade. Da entrega a uma ilusão que fazia muito sentido para mim, mesmo sem fazer nenhum sentido.

Sinto falta de coisas passadas que agora não estabelecem mais vínculo com a realidade. Tenho dúvidas quanto a minha sanidade naqueles tempos. Esta pessoa realmente existiu? Não a encontro mais, nem nos meus devaneios. Talvez tenha existido apenas nos meus delírios.

Uma fantasia. E como pôde ser possível eu ter permitido que uma fantasia fosse capaz de me machucar tanto? Como uma criança eu fazia questão de puxar a casquinha sempre que a ferida estava cicatrizando, abrindo novamente um vermelho vivo que fazia arder, mas me fazia sentir viva, e então, eu gostava. Vibrava a cada palpitação que fazia estremecer meu corpo. É disso que eu sinto falta.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um caminho sem volta...

O conhecimento é um caminho sem volta e, como diz um ex-professor e agora colega de profissão, dói! E vicia. E como todo vício te faz querer mais e mais. Leva-te a pensar, questionar e não mais aceitar meias verdades.

Diferente das outras drogas não há recuperação para conhecimento e pensar. Não há uma desintoxicação. Uma clínica em que você se interne e consiga parar de querer usar o pensamento, o senso crítico, isso a que chamam Razão.

Há tentativas externas de evitar um movimento maior desses drogados baderneiros que vivem a pensar e questionar. Eles podem dominar o mundo, são um risco para a ordem pública e o poder, mas não tem jeito, apesar da repressão, continuam por aí a pensar...

É mesmo um caminho sem volta. E dolorido. Dolorido porque não há ponto de repouso. É uma eterna inquietação. Um eterno querer mais. Uma necessidade de saber, entender.  Uma busca sem fim por respostas que, muitas vezes, nem existem. Como toda droga você quer usar o pensamento mais, mais e mais e aí está a grande ironia desta droga. O excesso de razão que ela proporciona, pode facilmente levar à falta de controle sobre o seu uso e conduzir à loucura. Sim, afinal, conhecer e pensar o mundo sem as vendas da ignorância e permanecer são, isso sim é coisa de maluco!


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Por um mundo melhor???

Ok, não usamos mais sacolas plásticas nos supermercados do Estado de São Paulo. Agora sim, somos seres melhores. Politicamente corretos, preocupados com o meio ambiente e na luta por um mundo melhor. É isso mesmo?

Com essa mudança nos supermercados, surgem-me algumas dúvidas. Os preços das famigeradas sacolas plásticas já estavam embutidos no valor dos produtos, certo? Sem esse gasto, os produtos terão um decréscimo no preço agora porque, afinal, estamos fazendo isso pelo meio ambiente e não visando mais lucros não é mesmo Carrefour, Wal-Mart, Extra, Pão de açúcar etc....?

Sou a favor de políticas de conscientização ambiental. Muito! E na medida do possível, faço a minha parte. Evito sacolinhas plásticas o máximo que posso colocando pequenos objetos direto na bolsa, carrego compras em caixas de papelão, mas será mesmo que são só as sacolas plásticas que precisam sair de cena para um mundo melhor?

Investir novamente em garrafas retornáveis não é ainda uma opção amplamente discutida por quê??? E os produtos que tem até 3 embalagens, duas das quais totalmente dispensáveis??? – plástico envolvendo uma caixa que contém um pacote de bolacha envolvido em outro plástico – (apenas como um exemplo), isto é bom para o meio ambiente?

O que estou querendo dizer é que não entendo porque a conscientização tem que ser apenas do consumidor final com um discurso marqueteiro de “vamos salvar o mundo” que impede qualquer tipo de questionamento a respeito, pelo medo imposto de se ser taxado como “Capitão Feio”, aquela personagem das historinhas do Cascão que quer destruir o planeta com a poluição.

Já disse e vale a pena repetir. Sou a favor de uma política de CONSCIENTIZAÇÃO da população para um uso racional de TODAS as matérias primas, não apenas das sacolas plásticas, mas de tantos outros materiais e dos excessos que cometemos no dia-a-dia que também degradam o meio ambiente.
O que me incomoda na história do adeus às sacolinhas é o que está por trás da política ambiental. Salvo engano de minha parte, parece-me apenas mais uma sórdida maneira de extorquir alguns centavos a mais do consumidor que esquecer sua ecobag que pode ter sido produzida no Vietnã.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Seleção (quase) natural

Não, não somos machistas. Também não somos hipócritas, tampouco somos moralistas. Somos jovens, pra “frentex”. Somos a geração cabeça aberta que tem acesso quase ilimitado a informação e com isso conseguimos desenvolver todo nosso potencial de respeito ao outro.

Conseguimos, por fim, entender que a mulher adquiriu seu direito ao sexo sem compromisso como o homem, sem deixar sua dignidade de lado. Hoje ela é respeitada sem grandes questionamentos, assim como os homossexuais que já não precisam enfrentar uma sociedade preconceituosa. Parece coisa da idade das trevas pensar que um dia agrediram e mataram pessoas nas ruas apenas pela sua orientação sexual... Hoje está tudo diferente, conquistamos nossa integridade pelo que somos em essência. Enfim, as pessoas abriram seus olhos e conseguiram ver por detrás das superficialidades.  

Mulheres podem sair e divertir-se, dançar até o chão sem serem julgadas por esse comportamento. Assim como os homo sapiens do sexo masculino, conquistamos também o direito de curtir a vida e depois, sim, esperar por alguém bacana, disposto a dividir uma vida com a gente, porque dividir uma cama é coisa fácil. Difícil mesmo é dividir uma história, juntar contas e problemas e dar as mãos para encontrar uma solução e ainda encontrar gás para dividir uma cama com prazer!  

Enquanto isso não acontece, a gente vai mesmo se divertindo por aí. E não, nós não estamos agindo errado, apenas arrumamos um jeito bem fácil de reconhecer os homo sapiens do sexo masculino que ainda não alcançaram certo grau evolutivo... Deu pra entender?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vamos celebrar a estupidez humana...

Sim, incomoda-me mesmo. E muito.

Sinto um incômodo que me toma por completo ao ver as pessoas, homens e mulheres, consentirem um estupro porque a mulher é “piriguete”, porque já tinha se pegado com o cara, porque estava bêbada, e por qualquer outro motivo que coloca na vítima a culpa de um crime, e me incomoda que isso vire mais uma piada no país do futebol, carnaval e BBB... Vamos rir! Um crime aconteceu, mas foi só porque ela estava bêbada, no fundo ela queria mesmo.
Vamos rir também do naufrágio do navio, fazer piada, porque é o mesmo navio que foi usado pelo time do Corinthians nas festividades de seu centenário, então vamos aproveitar a deixa para fazer mais piada. Ignorar a tristeza de muitas famílias e suas perdas imensuráveis e ganhar mais um motivo para rir! Deixar fluir na rede o lado mais bárbaro de quem não é capaz de conviver com a diferença e deseja a eliminação dos seus rivais. Mas não é isso. É só mais uma piada! Vamos rir!
Vamos rir. Vamos celebrar a estupidez humana...


Perfeição 

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.


Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.


Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.


Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.


Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera -
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição.

sábado, 7 de janeiro de 2012

E foi assim que começou...

... 2012... Reveillon tranquilinho em meio a pessoas queridas. Dia 02 cedinho, malas prontas rumo à Cananeia. 270 km de estrada. Paisagens lindas. Muitas bananeiras. Céu azulzinho. Umas horas depois, Cidade ilustre, Cananeia. Cervejinha em frente ao mar para relaxar e bater um papo com os pescadores... Balsa para Ilha Comprida. Banho de mar até no carro! Estradinha de barro deslizante até o mar. Moita para trocar de roupa e atolar o carro. Desatolar o carro cavando de biquíni. Tentativas de empurrar sem sucesso. Cavar mais um pouco e tentar sair de ré. Carro desatolado! Banho de mar para refrescar. Sonequinha  na areia. Fila de 1 hora pra voltar de balsa para Cananeia. Negociação na Pousada do João para uma noite lá. R$35 por uma noite + café da manhã. Jantar demorado, mas bem gostosinho no Ponto das Ostras. Passeio por Cananeia. Fotos! + fotos! Noite de sono! Perder hora e se arrumar rapidinho para a escuna para a Ilha do Cardoso. Café da manhã com pão caseiro delicioso! Banho no carro para tirar o sal. Malas na escuna. Carro guardado. 3h de escuna para a Ilha do Cardoso. Sonequinha na escuna. Novas amizades! Fotos. Chegada à Ilha e a procura por vaga numa pousada. R$50 a diária com café da manhã. Cervejinha para relaxar. Biquíni e caminho para praia. Paisagens novas, contato intenso com a natureza. Sonequinha na praia. Banho de mar! Vento! Cor morena meio avermelhada. Angústia a noite com a ideia do isolamento do “Brasil Continental’. Nada de celular, internet. Telefone só comunitário a R$1 a ligação a cobrar. Quero voltar pra casa. Repenso. Cervejinha. Forró. Cataia. Lua e céu estrelado como nunca tinha visto na vida. Noite de sono. Café da manhã com mamão + pão caseiro + suco natural + café com leite + salsicha no molho. Sombra de frente para o píer. Novas amizades. Bate papo na tranquilidade. Quero ficar aqui por + uns 3 dias. Praia. Sonequinha na praia. Banho rápido de mar. Vento! Muito vento! No caminho para o telefone havia uma cobra d’água. Contato rápido com a mãe. Quero ficar aqui por + uma semana! Camarão + cervejinha. Mergulho no píer. Pôr-do-sol + cervejinha. Fotos. Muitas fotos. Banho e forró. E era uma vez 27 anos... 28! Manhã de Ressaquinha... café da manhã e muitas amizades. Alegro a mesa com minhas bobagens incontroláveis. Novas amizades. Praia e uma caminhada de 3k até a ponta da praia. Caminho das pedras. Paisagens lindas. Liberdade! + 3km até voltar. O último mergulho da viagem e o primeiro com 28. Banho. Almoço “coma o que aguentar por R$15”. Malas prontas. Não quero ir embora. Malas na escuna novamente. Na escuna, a espera por um sinal de celular. Sinal! Mensagens de parabéns! Golfinhos! Ali e lá! De volta à Cananeia. Malas no carro. Cantoria. Tentativas de brincadeiras. Risadas! Expectativa por um lugar para comer. Mc Donalds, ali!!! E se desfaz o clima roots com filas e espera por uma comida cheia de conservantes. Gosto também. Caminho errado para Santos. + um pedágio. Santos de novo. Computador e internet! Noite de sono. Volta pra casa com chuva de pedra e caminhos errados, mas possíveis de chegar até a Grande Itu. Dalila está muito mais peluda depois de 1 semana, mas continua linda. Acabou. Mas o ano está só começando...

domingo, 11 de dezembro de 2011

DEZEMBRO DE NOVO...

Frida tinha os cabelos em pé, de susto! Dezembro de novo... O ano chegou ao fim, o tempo corre ainda mais depressa, e deixa a sensação de que a cada minuto o tempo fica mais escasso.
Frida começa a analisar o extrato do ano. Suas perdas e seus ganhos. Isto, somado ao seu inferno astral de vésperas de aniversário a faz pensar em tudo que aconteceu, mas, principalmente, no que não aconteceu.
Frida tem a péssima mania de pensar demais. De querer entender tudo. Terminar o ano sem uma conclusão sobre os acontecimentos da vida, se são frutos do acaso ou do destino, tiram dela algum resquício de sossego que poderia existir nesta época do ano.
A época a conduz à uma nostalgia amarga que faz com contabilize cada sonho não realizado, cada meta ainda não alcançada e nos objetivos que precisa (precisa?) realizar na vida. Pensa em fazer tanta coisa e em como conseguir fazer tudo isso quando o tempo parece apostar corrida com a vida o tempo todo.
Apesar das feridas, algumas ainda mal cicatrizadas, Frida é capaz de lembrar com alegria das conquistas e valorizá-las. Sabe do esforço e do trabalho que teve para alcançar cada uma, mas no fim vai percebendo que ainda lhe resta um vazio e sente-se impotente diante da vida que parece ditar uma rota que nem sempre é a que escolheu.
Frida pensa em tudo e em como guardar num lugarzinho especial todas as lembranças desse ano. Algumas esperanças despedaçadas pelo caminho. Perdas irreparáveis. Esperanças sobrevivendo, às vezes, por um fio de luz que clama por algum oxigênio para manter-se acesa.
Busca energia para seguir em frente. É uma romântica incorrigível (ou não) e encontra novo fôlego numa flor que nasce quase do cimento. No sorriso de uma criança que ainda nem sabe falar, mas já troca olhares que a cativam e a faz acreditar que a briga por um mundo melhor vai sempre valer a pena.
Pensa no ano que está por vir e nessa sensação de estar ganhando mais doze meses para fazer o que quiser. A ilusão mais utópica que pode existir. Mas já tem consigo a clara convicção de que a utopia serve para isso, para caminhar...

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