Para que serve a utopia?

"A Utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que nunca a alcançarei. Se eu caminho dez passos, ela se distanciará dez passos. Quanto mais a procure, menos a encontrarei. Qual sua utilidade, então? A utopia serve para isso, para caminhar!"
Fernando Birri (diretor de cinema)
http://www.youtube.com/watch?v=Z3A9NybYZj8

domingo, 27 de maio de 2012

Domingo

Almoço de domingo. Restaurante. Foi mais difícil deliciar-me com os pedaços de carnes, palmitos e saladas no meu prato ao ver crianças de rua pedindo esmolas e, ao entrarem no restaurante serem “convidadas” a se retirar do estabelecimento para a tranquilidade dos clientes.

Então é assim. O que os olhos não veem, o coração não sente. E se vejo muito, acostumo-me. Saída necessária para sobreviver à barbárie humana que legitimamos a cada dia com o discurso do mérito.

Três crianças. Idades, imagino eu, entre 7 a 14 anos. Penso na história de vida delas. Nasceram na rua? Abandono? Fuga de uma realidade mais cruel que a rua e o olhar de desprezo dos seres humanos que se sentem superiores à fragilidade humana?

Qual o futuro que lhes espera diante de uma vida no qual o seu esforço deve ser o de garantir algo para comer e sobreviver a cada dia?

Que sentido pode lhes fazer a escola? Local que deveria criticar esse sistema nojento de exclusão que o capitalismo instaurou, mas que, na maioria das vezes, apenas o serve de maneira muito eficiente legitimando o discurso do esforço e da meritocracia. “Se ele tem dificuldade, que se esforce mais”.

Tornamo-nos seres humanos cruéis, impassíveis ao outro, às diferenças e dificuldades. Legitimamos todo dia o ilegitimável com o discurso do mérito. Porque NÃO, não tem pra todo mundo. Esta é a ordem básica do sistema. Sempre haverá os que não têm, numa busca constante de um querer imposto, para manter uma minoria poderosa que se tranca em condomínios e carros blindados a fim de não enxergar a barbárie que construiu, constrói e construirá com sua lógica, tão racional e pouco humana, meritocrática.

Sempre pensei a educação como forma de resistência a tudo isso, mas falar sozinha no meio da multidão é muito difícil. Consigo apenas ouvir dos mais velhos, tão mais sábios, que vou crescer e a maturidade me trará a tranquilidade necessária para deliciar meu almoço sem me incomodar com a pobreza humana bem diante dos meus olhos. Tomara que não.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O mundo precisa mesmo é de EDUCAÇÃO que ensine a arte da civilidade para nós, os seres racionais. Porque bom senso e civilidade, infelizmente, não são naturais entre nós.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

RACIONALIDADE E FÉ


Não é que eu não tenha fé. Apenas não consigo viver uma fé religiosa medieval, incapaz de questionar qualquer coisa e que admite intolerâncias em nome de Deus.

domingo, 8 de abril de 2012

Classe Média sofre - Parte 2

Parte 1

E lá se foi mais um feriado religioso no nosso estado laico. Um viva à diversidade religiosa, mas não venha mexer no meu feriado! Ah esses dias de folga que a gente aproveita para encarar um engarrafamento extra até a praia.

Para quem fica, supermercados lotados em busca de bacalhaus e ovos de páscoa. Churrasco? Na sexta feira não pode! Mas uma bacalhoada cai muito bem, obrigada. E tem também os chocolates transformados em ovos com a promessa de serem entregues pelos pobres coelhos que se tornam ovíparos nessa época do ano.

As indústrias da guloseima devem adorar! 200 gramas de chocolate em forma oval sofrem um acréscimo (beeem sofrível no bolso do pobre trabalhador brasileiro) de uns 500%... Mas como explicar para as crianças que o chocolate na barrinha é o mesmo? Aí entram "as facilidades" dos mercados em oferecer a venda de ovos de páscoa em 10X sem juros no cartão. Você ainda paga pelo estrago desse coelho modificado geneticamente quando já está sendo chamado a contribuir com o Papai Noel, que de bom velhinho também não tem nada. Ele deve querer se vingar. Vivendo num país tropical, em pleno dezembro tendo que vestir aquela roupa vermelha felpuda e aquelas botas ele deve mesmo querer que todo mundo se F$#@ prometendo muitos presentes para as criancinhas, o que vai estourar, mais uma vez, no nosso orçamento.

Mas e daí, né? Problematizar pra quê? Vamos rir e ser feliz! Opinião é bobagem mesmo. O que importa é que o "Pão e circo", quero dizer, a Páscoa e o Natal estão aí pra isso, mesmo num estado laico.

E a classe média? Ah, sofre, viu!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Viver é foda...

...morrer é difícil...


Renato Russo deve ter tido uma experiência de quase morte quando fez essa música. Não que eu tenha tido. Mas confesso que em alguns momentos desejei morrer por alguns segundos. Aqueles segundos de extremo desespero, angústia, tristeza... Mas hoje ao ver partes do filme "Nosso Lar" pensei que morrer deve ser bem foda também. Que balela é esse papo de "descansou"?!? Segundo o filme não há descanso, não. É bem verdade que não vi o filme todo. Por falta de tempo e vontade, não necessariamente nessa mesma ordem, mas até onde vi, você morre e continuam as dúvidas, dores, fome, sede, questionamentos sem resposta. E eu aqui imaginando que a morte me traria a consciência sobre os 90% do meu cérebro que não desenvolvi na minha vida terrena. Nos momentos em que acredito que há alguma coisa nesse "outro lado", e na maior parte do tempo acredito, pensava que a morte me seria reveladora e também por isso desejava morrer, talvez não de verdade, mas de vez em quando. Mas nãããooo! Segundo o filme, muito surreal para minha compreensão de humana limitada que só usa 10% de sua cabeça animal, continua tudo do mesmo jeito numa cidade paralela, meio futurista. E ainda terei que me adaptar a novas pessoas, a refeições que se resumem a sopa e água, todo mundo vestido num tom pastel muito claro... Que sorte a minha gostar de branco! Achei tudo tão terreno. Pessoas arrogantes num espaço divino. Trabalhar para merecer. Meritocracia pós-morte? Oh, não! Sem contar nos Ministérios, e no Governador! "Que ele seja de esquerda" foi só o que consegui pensar! Tudo muito próximo do que conhecemos como vida. (Ok, estou omitindo o início com o umbral que é muito mais assustador.) Por fim, cheguei a conclusão de que não tinha como ser de outro jeito, tudo seria muito terreno mesmo. O filme é baseado num livro psicografado, mas foi realizado por terrenos com a sua limitada imaginação terrena. Ou talvez eu esteja racionalizando demais sobre o que não é racionalizável? Mas se não fosse, ñ viraria filme, mas o filme não me convence. Oh céus! Sei lá. Acho que vou ter que morrer pra entender, e se eu merecer vou até poder mandar uma mensagem pra Terra (escolhendo a tecnologia!!!) pra contar sobre a minha impressão. (Tomara que demore um pouco, né?)

sábado, 24 de março de 2012

Definitivamente não nasci para ser educadinha, boazinha, amiguinha. Os diminutivos nada têm a ver comigo. Gosto das hipérboles. Intensidade. Porque não sou adepta a manter um sorriso amarelo quando a vontade é gritar, mostrar as unhas.

Não gosto de nada morno. Meio a meio. Cinza. Rosa. Gosto do intenso. Inteiro. Completude. Preto, vermelho ou branco. Se for pra misturar que sejam bocas, corpos, cabelos, suores.

Por algum tempo até vesti a roupa de boa moça que a sociedade tenta impor, mas não me coube por muito tempo. Cresço a cada dia e não caibo mais nesse modelinho estreito que, na verdade, nunca me serviu.

Não gosto mais de faz de conta. Cresci e contos de fadas não me convencem há muito tempo...

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